O desafio de unir o passado e o presente

Produzir o especial de aniversário de Brusque é sempre uma grande responsabilidade e a edição deste ano, alusiva aos 157 anos da cidade, não fugiu à regra. Foi um desafio e tanto selecionar fotos de vários momentos de Brusque e refazê-las hoje, 20, 30, 40, 50, 100 anos depois, no mesmo lugar e no mesmo ângulo… que ousadia!

Assim que a ideia foi lançada e definimos, no início do ano, que a proposta seria essa, sabíamos que não seria fácil. Mas, ao longo dos meses, quando começamos o trabalho de campo, refazendo as primeiras imagens selecionadas, vimos que seria muito mais difícil do que imaginávamos.

Às 9 horas de 11 de junho, um domingo frio e ensolarado, eu, Bárbara, e o fotógrafo escolhido para captar as imagens da Brusque atual, Jailson Pollheim, fomos à rua pela primeira vez.  As expectativas estavam lá em cima, mas já na primeira imagem, percebemos as dificuldades que viriam a nos acompanhar durante todo o trabalho.

Na teoria, é só posicionar a câmera no ângulo da foto original, localizar um ponto de referência e fazer a foto. Certo? Errado! Aprendemos, na prática, questões técnicas que influenciaram no resultado final do trabalho.

As lentes das câmeras atuais são bem diferentes das utilizadas no passado. Por isso, mesmo estando no lugar certo, raramente a foto atual fica perfeitamente igual a original. Nas fotos antigas, o cenário parece sempre próximo porque as lentes eram planas, dando a impressão de proximidade. Hoje, as lentes são curvas, e tudo fica distante… nem o zoom resolve!

Outra dificuldade que encontramos no caminho foram as mudanças drásticas pelas quais Brusque passou. Muitas árvores, postes, fios de energia elétrica e telefonia, outdoors… poluição visual sem fim. O preço do progresso!

No fim da tarde daquele domingo, exausta depois de quase sete horas fotografando, confesso que fiquei um pouco desapontada. As fotos originais são tão lindas, e olhando para o computador, nem parece a mesma cidade. Mas, não dava para desistir. Avaliamos os erros e os acertos do primeiro dia de trabalho de campo e tentamos melhorar. No segundo dia, também um domingo, mais experientes e cientes da realidade, Jailson e eu sentimos que já foi mais fácil. Ufa!

Depois de selecionadas, vimos que muitas fotos foram feitas de pontos altos. Até tentamos reproduzir algumas. Bravamente, Jailson chegou a subir em uma escada, gentilmente emprestada no GG Lanches, no Centro da cidade, em pleno meio-dia de uma quarta-feira, mas ainda assim a altura era insuficiente. O experiente fotógrafo Erico Zendron nos conta que, antigamente, as fotos eram feitas de montanhas com vegetação rasteira, em áreas hoje tomadas por mata densa. Algumas, inclusive, por teco-tecos, como são chamados os pequenos aviões.

Foi aí que o Vinicios Raiser, da Inove Drones, entrou no projeto com mais um recurso tecnológico: o drone. O equipamento permite fotos áreas, com controle à distância, e visualização completa das imagens feitas nos céus por meio de smartphone. Ou seja, o operador consegue observar as cenas captadas pela câmera do drone e movimentá-lo no ângulo correto. Começava, então, a reprodução das fotos aéreas.

Com o drone, além da diferença das lentes, novos obstáculos: pássaros, árvores, fios, torres de telefonia e até helicópteros. Além de achar o ângulo e o ponto certo para captar as imagens, era preciso ficar muito atento a todos os ‘perigos’ no céu.

Um dos momentos que, certamente, não vou esquecer, é o trabalho que os pombos da praça Barão de Schneeburg nos deram. Um pouco bravos com o objeto voador invadindo o espaço deles, resolveram atacá-lo. Nessa hora, o Vinicios teve que ter muita calma… já eu, fechei os olhos. Definitivamente, não tenho emocional para isso!

Depois de tantos sufocos e aventuras, o Retratos da História começou a ganhar forma. O diagramador Djoni Paul Richter foi o responsável por fazer os ajustes nas imagens e criar a identidade do projeto. De forma impecável, ele desenhou à mão os quatro pontos que consideramos ícones de Brusque e que estão presentes na capa e no topo de cada página deste caderno: Palacete de Carlos Renaux, chaminé da Fábrica de Tecidos Carlos Renaux, ponte estaiada Irineu Bornhausen e o Santuário de Azambuja.

Ao longo de todo este processo, contei com uma ajuda muito preciosa, principalmente na identificação dos pontos exatos para refazer as fotos.  Não sou de Brusque, moro na cidade há pouco mais de quatro anos e, embora meu trabalho diário no jornal exija que eu conheça não só a Brusque de hoje, mas também a de ontem, há coisas que só um brusquense nato pode saber.

A professora Jaqueline Kuhn, idealizadora do grupo Curto Fotos Antigas de Brusque no Facebook, foi uma espécie de porto seguro. Além de ajudar muito na seleção das imagens e na pesquisa histórica, a cada dúvida que eu tinha, sabia que poderia contar com ela. Socorreu-me inúmeras vezes, sem se importar com o horário: sábado à noite, depois das 23 horas? Lá estava ela. Também foi parte importante corrigindo e dando sugestões para as legendas das 47 fotos que fazem parte deste especial.

Foram três meses de trabalho intenso, com muitos profissionais envolvidos, para que hoje, 4 de agosto de 2017, ao comemorarmos os 157 anos de Brusque, tivéssemos um material à altura da grandeza e importância desta cidade.

O objetivo, no fim das contas, é muito simples: mostrar as mudanças que a cidade passou ao longo das últimas décadas. Para os mais velhos, uma viagem no tempo, com sentimento de nostalgia. Para os mais novos, o descobrimento de uma Brusque conhecida apenas nas histórias contadas pelos avós ou nos livros de história.

Espero que vocês, leitores, gostem do resultado. Obrigada!


Homenagens

Maria Luiza Renaux (in memoriam)
Se viva estivesse, certamente, Maria Luiza Renaux, ou simplesmente Bia Renaux, estaria envolvida diretamente neste projeto. Historiadora, a bisneta de Cônsul Carlos Renaux viveu para proteger o grande legado deixado pelo bisavô a Brusque.

Grande entusiasta da preservação da história da cidade, aos 70 anos, quando partiu, em janeiro deste ano, ainda tinha muitos planos, como abrir a Villa Renaux, casarão em que viveu e conservou de forma impecável, no alto de uma colina da avenida Primeiro de Maio, para a visitação do público.

Na vida acadêmica, Bia dedicou grande parte de seu tempo ao estudo e documentação da história, com obras publicadas. Como professora do departamento de História e pesquisadora do Instituto de Pesquisa Sociais da Universidade Regional de Blumenau (Furb), contribuiu com a formação de inúmeros historiadores.

Mesmo carregando o sobrenome imponente, dona Maria Luíza sempre foi muito gentil e atenciosa com a equipe de O Município, ajudando-nos sempre que solicitada.
Sua partida nos pegou de surpresa, não estávamos preparados para tamanha perda, por isso, este especial que exalta a história de Brusque, é também uma homenagem à inesquecível Bia Renaux!

* 30/9/1946 + 05/1/2017


Erico Zendron
Dificilmente este projeto seria possível se Erico Zendron não tivesse dedicado décadas de sua vida a registrar o cotidiano de Brusque por meio da fotografia. Preservadas com carinho e compartilhadas com generosidade, suas fotos são verdadeiras preciosidades.

Grande parte das imagens do Retratos da História são de sua autoria. Fotos lindas, que nos fazem viajar ao passado, para uma Brusque cheia de casarões e belezas que hoje não existem mais. Seu Erico é dono de um incrível acervo de mais de 37 mil fotos.

São imagens que retratam várias épocas da cidade, de ângulos impressionantes. Quem não conhece as fotos panorâmicas do Centro de Brusque, feitas por seu Erico da torre da igreja matriz ainda em construção? Corajoso, ele conta que, para chegar lá no alto, subiu pelos andaimes da obra.

Aos 89 anos, sua memória também é de fazer inveja. Sabe, sem titubear, o ano em que cada foto foi tirada e o lugar. Pelas imagens eternizadas por suas lentes é que as novas gerações têm acesso à encantadora Brusque do passado. Obrigada, seu Erico, por dividir suas belas imagens com todos nós!


Jaqueline Kuhn
Em 2011, quando criou o grupo Curto Fotos Antigas de Brusque na rede social Facebook, a professora Jaqueline Kuhn não imaginava que estava plantando uma sementinha que renderia muitos frutos. É pelo grupo que muitos brusquenses natos e também de coração viajam no tempo e conhecem um pouco da história da cidade.

O grupo despertou a paixão pela história em muitas pessoas que, aos poucos, também começaram a compartilhar suas belas imagens e conhecimentos. Hoje, o grupo conta com quase 16,5 mil membros e um número incalculável de imagens, de todos os tipos. O grupo virtual é, sem dúvida, uma grande fonte sobre a história de Brusque, já que todos os membros, de forma gentil, sempre colaboram identificando anos, locais, pessoas e relembrando fatos curiosos.

Aquele gesto simples e despretensioso da Jaqueline, ao partilhar do seu amor e seu conhecimento pela história da cidade, tornou-se, com certeza, um patrimônio para os brusquenses e para Brusque, que ainda precisa aprender a valorizar mais a sua história e identidade. Obrigada, Jaqueline! Vida longa ao Curto Fotos e ao seu trabalho!


Fotos

Jailson Pollheim
Formado em Pedagogia pela Unifebe e em Design Gráfico pela Uniasselvi/Assevim, é professor em Guabiruba há 21 anos. Paralelo ao seu trabalho como educador, também atua com fotografia desde 2012. Hoje, aos 47 anos, faz ensaios pessoais e também eventos como comunhões, batizados, aniversários, formaturas e casamentos.

Saiba mais: www.jailsonpollheim.com.br


Vinicios Raiser
Diretor de filmagem na empresa Inove Drones Imagens Aéreas. Com apenas 22 anos de idade, foi um dos pioneiros em disponibilizar o serviço de imagens com drone em Brusque. Investiu no equipamento porque viu como um diferencial para o serviço de filmagens, principalmente de casamentos, área em que mais atua.

Saiba mais: facebook.com/inovedroness

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