Em um pedacinho do bairro Santa Rita, a família Gianesini preserva as tradições italianas trazidas pelos imigrantes há mais de 100 anos. Na casa da matriarca Alma Gianesini, 89 anos, tem muita alegria, conversa e, principalmente, comida e bebida boa.

Todo fim de semana, boa parte dos 11 filhos se reúnem para celebrar a vida em volta de uma mesa farta, aquecida pelo fogo do fogão a lenha. Em meio a rica gastronomia da cultura italiana, o prato preferido da família é a polenta com galinha.

O prato é feito por dona Alma há muitos anos e, para os filhos, tem sabor de infância. “A polenta era o nosso prato do dia a dia. De noite era a minestra, que é o feijão com arroz, de manhã era batata doce cozida no parolo que a gente comia com leite, e ao meio dia era a polenta, que dava a sustança pra trabalhar na roça. Às vezes, a gente também levava um pedaço de polenta pra comer de lanche na escola”, lembra um dos filhos de Alma, Francisco Gianesini.

Família Gianesini se reúne em volta da mesa quase todo fim de semana | Foto: Bárbara Sales

A família, que é originária de Telve, na província de Trento, na Itália, se estabeleceu em Botuverá. Orgulhosos, eles costumam dizer que são Gianesini ao quadrado, já que dona Alma é Gianesini de nascença, mas se casou com José Gianesini – falecido há 10 anos.

“Somos duplamente Gianesini. O avô da minha mãe era o Carlos Gianesini, que veio de Telve, e o avô do meu pai era o Antônio Napoleone Gianesini, que também veio de Telve. Vieram duas famílias diferentes para o Brasil, mas lá no fim da linha são parentes”, explica Valdete Gianesini.

A família se mudou para Brusque há 50 anos e manteve as tradições italianas. A polenta com galinha é feita sempre no fogão a lenha, sob o comando de dona Alma, que mesmo com a idade já avançada, não abre mão de preparar a receita.

Aos 89 anos, dona Alma Gianesini faz questão de preparar a polenta para a família | Foto: Bárbara Sales

A farinha fina de fubá se mistura com um pouco de farinha grossa e mandioca e vai para o parolo, uma espécie de caldeirão. Lá, fica em torno de 45 minutos sempre mexendo com uma colher de pau. “Não pode parar de mexer. Sempre nos revezamos porque precisa de bastante esforço”, destaca Valdete.

Enquanto espera a polenta ficar pronta, a família se reúne em volta da mesa para degustar queijos, salames, patê feito do fígado da galinha e, claro, vinho. A conversa é no dialeto trentino, uma das heranças dos antepassados, e não pode faltar música. “Nunca perdemos a tradição. Chegando aqui na casa da mãe, falamos o dialeto trentino. Os sobrinhos não falam, mas entendem. Pra nós é muito comum porque, quando viemos para Brusque, não falávamos português, só italiano”, ressalta.

Cerca de 45 minutos depois de iniciada, quando se forma a crosta no parolo, a polenta está pronta. Dona Alma, com a ajuda dos filhos, tomba a polenta na tábua para poder servir. O corte da polenta também segue a tradição. Nada de faca, é feito na linha pela matriarca que faz questão de servir um por um.

Depois de pronta, polenta é tombada na tábua para ser servida | Foto: Bárbara Sales

“A polenta é uma coisa que veio com os imigrantes e que nunca perdemos. Lá na Itália, eles já não tem tanto essa cultura da polenta, e aqui nós conseguimos manter”, diz Valdete.

O amor pela tradição, inclusive, fez a família ser uma das fundadoras, ao lado das famílias Bado e Sgrott, do Círcolo Italiano e Círcolo Trentino em Brusque, entidades que têm como objetivo preservar a cultura dos imigrantes que formaram a região.

“Fomos criados seguindo muito a tradição italiana e procuramos manter assim. Temos muito orgulho do que somos e de onde viemos”, finaliza Valdete.

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