Consagrado em Brusque pela Festa Nacional da Farinha, a Fenarinha, o pirão é uma das heranças indígenas que permanece forte na cidade. O termo pirão vem do tupi guarani e significa papa grossa. Os índios faziam o pirão escaldado, misturavam e serviam-se com as mãos.  

A iguaria é formada quando se mistura a farinha de mandioca com água ou caldo quente. Apesar de ser um alimento bastante antigo no país, em Brusque, o pirão se popularizou a partir de 1995, quando foi realizada a primeira edição da Fenarinha, idealizada e organizada pela família Dalago.

De origem italiana, os imigrantes da família se estabeleceram na região do bairro Limeira Alta. Lá, construíram a vida como colonos, tirando o sustento da terra. O engenho, utilizado para fazer a farinha de mandioca, ainda existe e funciona a todo vapor passados mais de 120 anos de sua construção.

Marilene e Regina guardam com carinho recortes de jornais que falam sobre a Fenarinha e o pirão com linguiça | Foto: Bárbara Sales

Maria Regina Dalago Habitzreuter, uma das organizadoras da festa, lembra que, durante a infância, era muito comum a mãe, dona Rosa Dalago, preparar o prato para alimentar a família. “Crescemos comendo o pirão. Naquela época, não tinha muita coisa. Eles trabalhavam no engenho e faziam comidas derivadas da mandioca”, diz.

Anos depois, a família deixou o bairro para se estabelecer na cidade. O sítio ficou por algum tempo abandonado e o engenho já não funcionava mais. No início dos anos 90, Nelson Dalago começou a se reunir no local com o seu grupo de cavalgada. Decidiu, então, reformar o engenho e voltar a fazer farinha.

“Ele consertou o engenho e chamou os amigos do grupo para fazer farinha. A comida mais fácil de fazer com a farinha é o pirão, e foi isso que fizemos”, conta a esposa de Nelson, Marilene Isabel Dalago.

Pirão feito com farinha de mandioca é acompanhado por ovo frito, linguiça assada e repolho refogado | Foto: Arquivo O Município

Foi assim que surgiu a Fenarinha. Em 1995, ano da primeira festa, foram servidos em torno de 300 pratos. O pirão passou a ser acompanhado por repolho refogado, ovo frito e linguiça assada. Nascia aí mais uma tradição de Brusque.

De 1995 a 2013, a festa aconteceu todos os anos. Depois, teve edições em 2014, 2016 e 2017. Nos anos de festa, brusquenses e pessoas de várias cidades contavam os dias para a chegada do mês de abril para saborear o pirão com linguiça. A família chegou a servir mais de cinco mil pratos em uma única edição da festa.

Cada membro da família tem uma função na festa. Marilene é uma das responsáveis pela produção do pirão. Ela explica que, para um quilo de farinha de mandioca, são necessários dois litros de água fervida com uma linguiça de carne pura furada, caldo de carne e de legumes e sal. Quando a água ferve, coloca-se duas medidas da água quente para uma de água fria.

Mais de 5 mil pratos já foram vendidos em uma única edição da festa | Foto: Arquivo O Município

“É importante colocar a água fria porque senão fica uma goma, e vai começando aos poucos. É como fazer uma polenta”.

O repolho que acompanha o prato é refogado com cebola, bacon e pimentão. Já a linguiça mista é assada na churrasqueira.

O sucesso do prato, inclusive, fez com que ele começasse a ser servido também em festas de entidades e igrejas de Brusque. Todas sempre com grande aceitação do público.

“Quando fizemos a primeira, não imaginamos que o pessoal ia gostar tanto, que o pirão com linguiça virasse tradicional. Para nós, é um grande orgulho poder proporcionar isso”, diz Regina.

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