Do clássico x-salada aos mais gourmet e artesanais, o hambúrguer é unanimidade entre os brusquenses. Com tanta procura pelo lanche, as hamburguerias começaram a ficar mais comuns na cidade, e fazem parte da cultura de Brusque.

De acordo com dados da Secretaria da Fazenda da Prefeitura de Brusque, entre 2015 e 2017, o número de pedidos de regularização de lanchonetes no município registrou aumentos anualmente. Em 2015, foram 8; no ano seguinte, 15; e, em 2017, 26 estabelecimentos fizeram a solicitação.

Embora os dados não reflitam o número real de estabelecimentos que abriram nesse meio tempo, o aumento é visível, e demonstra como o hambúrguer se tornou uma tendência gastronômica nos últimos anos.

Na história de Brusque
A primeira lanchonete de Brusque começou sua história em 1974, quando instalou o trailer para vender lanches na “subida do morro do Cônsul”.

Por cerca de dois anos, ficou estabelecido num posto da avenida Monte Castelo, no Centro de Brusque, até mudar-se para a praça em frente ao antigo colégio Honório Miranda, onde permaneceu por mais dois anos. Mais tarde, instalaram-se em frente ao atual terminal urbano, e permaneceram por aproximadamente 30 anos no local.

Primeiro trailer do Cako Lanches, por volta da década de 1980 | Arquivo Pessoal

Desde 2007, o Cako Lanches atende na rua Germano Moritz Hoffmann, no Centro I. O proprietário Misael Foppa, que está à frente da lanchonete desde 2001, conta que foram muitas mudanças desde que iniciaram as atividades, e não apenas no local de atendimento: “Aumentamos nosso espaço, começamos a fazer tele-entrega, e há um ano e meio expandimos para Itajaí”, conta.

O cardápio não passou ileso por todas essas modificações. No ano passado, o Cako deixou de oferecer apenas os lanches tradicionais e aderiu à tendência do hambúrguer gourmet e artesanal. Para Foppa, foi a união da necessidade de adaptar-se ao mercado com a vontade que ele já tinha de fazer algo diferente.

“Há cerca de três anos começou essa febre das hamburguerias, com os food trucks. Hoje, tem quase uma hamburgueria em cada bairro de Brusque”, avalia. “Há dez anos, tinha praticamente só o Cako. A concorrência aumentou, mas nós estamos enraizados na cultura da cidade, fomos os primeiros a servir o x-salada.”

Durante os mais de quarenta anos de atividade, o Cako foi se modernizando, e hoje atende a maioria dos pedidos de entrega por WhatsApp – até mais do que pelos aplicativos e telefone -, mas ainda mantém a cultura da época do trailer. “Se você parar no estacionamento do Cako e ligar o pisca-alerta, o garçom atende no carro, como era feito na época”, conta.

Mas, por mais que tenha passado por muitas mudanças, Foppa afirma que, mesmo com os hambúrgueres artesanais disponíveis no cardápio, o mais pedido do Cako ainda é o tradicional x-salada com o qual se consagraram.

Mais do que um lanche
Também iniciada num trailer, a hamburgueria Bestburguer, no bairro Guarani, abriu em 2015 e já se tornou referência em hambúrguer artesanal em Brusque. O proprietário, o publicitário André Tôndolo, conta que nunca antes tinha trabalhado no setor de gastronomia, e que a empresa surgiu de um hobby que ele mantinha.

“Sempre gostei de cozinhar e acabei trazendo isso para o lado profissional”, conta. Desde que iniciou os trabalhos da hamburgueria, dedicou-se cada vez mais à cozinha, buscando cursos de gastronomia. “Mas também aprendo muito sozinho, testando, experimentando.”

Hamburgueria tem projeto de expansão ainda para este ano | Bestburguer/Divulgação

O cardápio do Bestburguer é bastante dinâmico. Buscando sempre trazer novidades, as 20 opções de lanches variam periodicamente, com a substituição de alguma receita por uma nova. Por enquanto, ainda não repetiram lanches, mas a certeza é que os mais pedidos estão sempre disponíveis.

A hamburgueria, porém, tem uma peculiaridade: devido à tradição adventista, religião seguida pelos familiares do proprietário, o local não funciona às sextas-feiras, mas atende diariamente de sábado à quinta.

Foram cerca de um ano e meio planejando antes de abrir, de fato, o Bestburguer. Porém, mesmo com pouco tempo de atividade, a casa já precisou ser expandida e, de um trailer, se tornou um espaço concreto, permanecendo no mesmo terreno na rua Orídes Schwartz.

“Sentimos a necessidade de aumentar o local quando nossa cozinha parou de dar conta do volume de pedidos.” Recentemente foi feita uma reforma na parte interna, compreendendo a cozinha e espaços administrativos.

Para 2018, o projeto é expandir: ainda este ano, pretende abrir uma franquia em Balneário Camboriú.

Um dos detalhes que Tôndolo frisa é o conceito por trás da marca. “A ideia do Bestburguer é maior do que apenas vender lanches. Queremos valorizar os momentos das pessoas, que nossos clientes compartilham conosco. São comemorações de aniversário, encontros, enfim, momentos dos quais estamos fazendo parte.”

Harmonização gastronômica
Com foco nas bebidas especiais, como o chopp artesanal, e na harmonização com os hambúrgueres, o Johnny Pub busca oferecer uma variedade de chopps premiados e rótulos de fora da região.

O proprietário do pub, Jonatan Paulini, conta que sempre foi um entusiasta da gastronomia e que a ideia de abrir o estabelecimento surgiu da vontade que tinha de ter um negócio próprio. Ele já mantinha a tradição de, semanalmente, preparar hambúrguer e servir para os amigos: preparava o que hoje é o especial da casa, o mais vendido entre as opções oferecidas.

Em junho de 2016, foi inaugurado o pub, em frente à antiga sede da Uniasselvi, na rua Gregório Diegoli, no São Luiz.

“No início, nosso foco era o público universitário, o bar não tinha nem nome”, conta Paulini. “Tínhamos uma estufa com pastel, e o pessoal vinha no intervalo da aula. A mudança e o crescimento aconteceram gradualmente.” O proprietário conta que, após a saída da universidade da rua, o movimento até aumentou.

Embora o principal foco da casa sejam as bebidas, novas receitas de hambúrguer foram sendo testadas e incluídas no cardápio da casa. “Hoje, o nosso carro-chefe acaba sendo o hambúrguer, mas não era essa a ideia quando decidimos virar um pub.”

Um dos diferenciais do Johnny Pub é a harmonização da bebida com a carne. Paulini conta que oferece aos clientes dicas de qual bebida vai melhor com cada um dos hambúrgueres, buscando sempre combinar o sabor do alimento com o da cerveja. Aliás, cervejas que são bastante variadas: a casa preza pela rotatividade, ou seja, quando é acabado um barril, entra uma nova opção de chopp, para instigar os clientes a experimentarem novas opções.

No estilo americano
Apostando no hambúrguer grelhado, a Big Joe Burger, na Avenida Dom Joaquim, trouxe a Brusque a proposta do lanche americano, em um ambiente que tem tudo a ver com a ideia. Em meio às fotografias de Elvis e Marilyn Monroe, é como uma viagem ao passado, aos anos 1950, como se vê nos filmes.

O proprietário João Alexandre Colombi Filho trouxe toda a decoração de uma viagem que fez aos Estados Unidos, onde visitou lanchonetes como a Big Joe e se inspirou para trazer o conceito à cidade. Além de hambúrgueres, cujos nomes no cardápio remetem à cultura americana e aos estados do país, servem também milkshakes e batatas.

Hambúrguer é o centro das atenções nos lanches do Big Joe Burger | Natália Huf

“Somos a única hamburgueria da região que recebe a carne direto do frigorífico. A limpeza e o preparo são feitos aqui. O pão também é feito na casa, a partir de uma receita italiana que aprendi quando fiz um curso na Itália”, conta Alexandre, que é advogado, mas, em 2014, decidiu fazer uma mudança na carreira e entrar no ramo de alimentação.

“Sou fascinado pelo hambúrguer, todos no cardápio foram desenvolvidos por mim, a partir de estudos e testes”, diz. “Cozinhar era uma paixão minha, e é uma área na qual o aprendizado não tem limites, sempre se pode ir melhorando e aprimorando.”

Ele acredita que a Big Joe é uma mistura do hambúrguer tradicional com o gourmet, tão em alta nos últimos anos. “Além de ser um lanche de qualidade, com a carne grelhada, que é mais saudável, por não ter aquela gordura saturada, é para quem gosta de saborear. Equilibramos os sabores dos ingredientes para que a carne, o hambúrguer seja o gosto valorizado”, pontua.

Alexandre costuma trabalhar mais no caixa e no administrativo, mas, em dias corridos, também ajuda no preparo dos lanches, que são servidos empratados e com talheres. “Mas a jogada do hambúrguer é comer com as mãos”, ri, “saborear, sentir todos os aspectos, o cheiro, os outros ingredientes”, finaliza.

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