Vir a Brusque e não comer um pedaço de cuca é praticamente um pecado. O doce, originário da Alemanha, está sempre presente na mesa dos moradores da cidade, não importa a origem. É também o sucesso das panificadoras que, devido à qualidade das receitas, tornaram a cuca um dos símbolos do município.

A cuca ou kuchen chegou à região junto com os primeiros imigrantes alemães, no início do século 19. Naquela época, o doce era servido somente em ocasiões especiais, como o Natal, já que era muito difícil encontrar os ingredientes, como farinha de trigo, manteiga e o açúcar branco.

Doce faz muito sucesso entre brusquenses e turistas | Foto: Bárbara Sales

Com o passar dos anos e o desenvolvimento da região, a cuca foi se tornando cada vez mais presente na mesa. O doce alemão se popularizou, ganhou novos sabores e hoje cada família tem a sua receita especial.

Sandra Terezinha Bernardi Ribeiro, 49 anos, pode ser chamada de especialista em cucas. Ela participa do concurso do Festival da Cuca de Brusque desde 2016. No primeiro ano, ficou entre os 15 finalistas. No ano passado, evoluiu e conquistou o segundo lugar, com sua cuca romeu e julieta. Neste ano, ela participou mais uma vez, e novamente, ficou entre os campeões. A receita da cuca de limão a deixou em terceiro lugar.

Sandra Ribeiro demorou, mas aprendeu direitinho a receita da cuca alemã | Foto: Bárbara Sales

Quem vê essa mestre das cucas em ação não imagina que ela demorou para aprender a fazer o doce. De família italiana, Sandra lembra que a avó sempre fazia bolos e, naquela época, a cuca que ela conhecia era a feita com massa de bolo ou com a sobra da massa de pão. “Eles tiravam um pouco da massa do pão e só colocavam a farofa”, diz.

Depois de casada, Sandra aprendeu a receita de cuca com a sogra. Tentou inúmeras vezes, mas não acertava. “Nas primeiras vezes eu fazia errado. Depois, eu fazia bastante com a massa de bolo, que não tem erro, mas o recheio baixava”.

Depois de muito tentar, ela finalmente conseguiu fazer a cuca com a tradicional massa alemã, que leva ovo, leite, manteiga, fermento seco e açúcar.

É com esta e outras receitas que a costureira, moradora do bairro Águas Claras, complementa a renda. As cucas de vários sabores estão entre as encomendas mais feitas para ela, que também faz o doce de forma voluntária nas festas de igreja, principalmente na comunidade Sagrada Família, da qual participa. 

Em casa, quase todo fim de semana tem cuca. Mas nada de receitas muito elaboradas. A cuca que a família gosta para acompanhar o cafezinho são as tradicionais. “A família gosta muito, sempre tem que ter, mas não adianta colocar outro sabor, tem que ser banana e farofa”, diz.

Cuca de limão ficou em terceiro lugar no Festival da Cuca neste ano | Foto: Bárbara Sales

Para ela, não há nada mais gratificante do que ver as pessoas felizes após comer um bom pedaço de cuca. “Amo cozinhar, amo fazer cuca. Faço porque gosto. Acho muito bonita essa relação que a cidade tem com a tradição de fazer cucas. Me orgulho em fazer parte disso”.

A coordenadora do Núcleo de Panificadoras da Associação Empresarial de Brusque (Acibr), Cledir Rodrigues de Albuquerque, reforça o papel fundamental que a cuca ganhou na gastronomia da cidade.

“As outras regiões têm cucas, mas não do estilo alemão como conhecemos. Não é uma tradição como aqui, que é um prato que veio com os imigrantes. Por isso, as pessoas que não são daqui não perdem a oportunidade de conhecer o nosso doce”.

Ela, que é proprietária da panificadora Moriá, afirma que o estabelecimento vende de 500 a 800 cucas por mês. “Em Brusque, não tem como ter uma reunião de família, de amigos e não ter uma cuca quentinha na mesa. Todo fim de semana, sexta, sábado e domingo, vende-se muita cuca. O brusquense mesmo não passa um fim de semana sem”.

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