Quando se fala em cerveja, em Brusque, a Zehn Bier é o primeiro nome que vem à cabeça. Já há quase uma década e meia no mercado, a cervejaria fundada por Hylário Zen tem seguido à risca, nos últimos anos, uma cartilha para fortalecer a tradição cervejeira trazida pelos imigrantes alemães ao Vale do Itajaí.

Trata-se de uma cartilha com diversos critérios a serem seguidos, desde o aperfeiçoamento da produção à busca por novos mercados.

Nesses dois quesitos, aliás, a Zehn Bier deu grandes e recentes passos, com a criação de novos produtos e a prospecção de clientes no mercado internacional.

Há algumas semanas, foi ampliado o leque de cervejas artesanais fabricadas pela empresa, com o início da comercialização de cerveja escura tipo Irish Red Ale, além do chope de vinho, bastante apreciado aqui na região.

Edson Bruning administra a Zehn Bier, ao lado do empresário Fernando José de Oliveira, há pouco mais de dois anos. Desde então, eles têm se empenhado em recuperar a força que a cervejaria tinha outrora, em um mercado não tão concorrido.

“Resgatamos muita coisa da Zehn Bier. Ela já foi uma empresa grande, de uma estrela muito forte, só que na época ela estava sozinha no mercado. Hoje, o trabalho é bem mais complicado”, diz Bruning, citando a concorrência crescente.

Os dados são impressionantes. Atualmente, no Brasil, são criadas quatro novas cervejarias por semana, segundo informações apuradas por empresários do setor. Apesar disso, avalia Bruning, há espaço para crescer.

“O positivo é que o estilo de cerveja que nós produzimos, essa cultura da cerveja, é muito recente. A gente vê que tem muito espaço para crescer ainda. Viemos trabalhando muito, fizemos uma reestruturação da fábrica e estamos fazendo um trabalho forte de mercado”, explica.

Esse trabalho de mercado tem se destacado pela confiança dos empresários em investir no negócio. Quando assumiram a empresa, eles reativaram pontos de distribuição de chope, operação que estava paralisada pelos gestores anteriores.

Hoje, a aposta já dá resultados, e a empresa domina a venda de chope em algumas regiões, além de seus produtos estarem presentes em quase todas as grandes redes de autosserviço.


O início, quase desistência e a retomada

A história da Zehn Bier remonta ao ano de 2003. Pelas mãos de Hylário Zen, empresário e ex-prefeito de Brusque, a fábrica iniciou suas atividades motivada pelo desejo do fundador de fabricar a sua própria cerveja. Seu Hylário, contam os mais próximos, era um apaixonado pela cultura cervejeira alemã.

Segundo informa a empresa, o nome da cervejaria foi criado a partir da inclusão da letra H, correspondente à inicial de Hylário, no sobrenome da família Zen.

“Resgatamos muita coisa da Zehn Bier. Ela já foi uma empresa grande, de uma estrela muito forte, só que na época ela estava sozinha no mercado. Hoje, o trabalho é bem mais complicado”
Edson Bruning, administrador

Porém, alguns anos depois o fundador repassou o negócio para a segunda geração.

Um dos filhos tocou a empresa por um tempo mas, segundo o atual administrador, estava a ponto de desistir do negócio, tendo em vista que possuía outras empresas, época em que Bruning e Oliveira decidiram assumir a cervejaria.

“É fato que viemos em uma crescente”, diz o empresário, referindo-se à produção e as vendas da cervejaria. No ano passado, foi realizada a primeira exportação de cerveja artesanal da Zehn Bier, para Cingapura.

Novos voos internacionais estão no radar. Segundo Bruning, há negociações em andamento para distribuição da cerveja brusquense na França, no Paraguai, na Bolívia em em países da África.

A prospecção mais recente foi realizada poucos dias atrás, quando o administrador viajou até o Panamá, na América Central, para apresentar a qualidade da produção artesanal brusquense.

“O motivo do crescimento é o trabalho e a dedicação que a gente vem colocando à frente na gestão”, avalia.


Aposta na tradição cervejeira do Vale

Para os empresários à frente da Zehn Bier, Brusque reúne todas as condições para quem quer empreender.

“A nossa região é simplesmente maravilhosa”, diz Bruning, “quem conhece o país, principalmente de São Paulo para cima, sabe que estamos em um paraíso”.

Ele diz que a cidade, por ter sido colonizada principalmente por italianos e alemães, “tem uma cultura de muito trabalho, de muito empreendedorismo, é um grande celeiro de empreendedores”.

A colonização alemã, aliás, está presente em uma das marcas da empresa: a valorização da pureza do produto.

“As cervejas industriais são mais baratas, porém carregam no seu conteúdo uma série de aditivos que não fazem bem à saúde humana. É diferente de beber um produto puro, que é realmente de qualidade”
Edson Bruning, administrador

O chope e as cervejas da Zehn Bier seguem as tradições germânicas, e utilizam apenas quatro matérias primas: água, malte, lúpulo e levedura. Não há aditivos ou conservantes, tampouco é adicionado qualquer ingrediente químico.

Tudo é feito de forma artesanal e seguindo a Lei Alemã da Pureza, de 1516.

“A gente tem sempre hora para entrar e nunca hora para sair, essa é a realidade. A gente vive 24 horas o negócio. A rotina de uma cervejaria não é fácil. Enquanto as pessoas estão na festa se divertindo e bebendo o seu chope, tem toda uma equipe trabalhando”, afirma Bruning.


Parcerias para o desenvolvimento

“Quando a gente fala em cervejas artesanais, uma puro malte é completamente diferenciada, não se compara”, diz Bruning.

Ele se refere à competição que os produtos artesanais enfrentam com as cervejas produzidas em escala industrial, de preços bem mais em conta.

“As cervejas industriais são mais baratas, porém carregam no seu conteúdo uma série de aditivos que não fazem bem à saúde humana. É diferente de beber um produto puro, que é realmente de qualidade”.

Uma das apostas da Zehn Bier para continuar crescendo é não apenas vender, mas fomentar a cultura da cerveja artesanal, com ingredientes puros e sem aditivos e conservantes.

Trata-se, na visão dos administradores, de uma cultura muito recente em Brusque.
“As pessoas estão começando a acordar e dar valor para produtos de qualidade. Começando a entender que é preferível que você beba menos, mas beba melhor”, avalia Brunning.

Para fomentar a cultura de beber com qualidade, a cervejaria tem apoiado instituições que desenvolvem cursos para cervejeiros artesanais, mantendo convênios, por exemplo, com a Unifebe e o Instituto Federal Catarinense (IFC).

“Estamos sempre dando apoio aos cervejeiros caseiros. Incentivamos o desenvolvimento e concretização dessa cultura cervejeira. Isso faz com que pessoas se tornem adeptas ao produto”, afirma o administrador.

Dessa forma, ao fomentar e auxiliar os cursos para cervejeiros, a Zehn Bier trilha o caminho para desenvolver em Brusque o gosto pelo bom produto da região, conquistar clientes e ainda contribui para formar uma mão de obra especializada, que será necessária conforme a cervejaria for crescendo.

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